
C.E.- Bom dia Nuno, quais os objectivos para a época que agora inicia ?
N.L. -Os objectivos passam por melhorar a classificação que obtivemos o ano passado no campeonato de dez equipas – 4º lugar. Para a presente época classificamos de uma forma qualitativa os lugares acima:
Campeão Nacional - Fantástico
1º lugar - Excelente
2º lugar - Muito Bom
3º lugar - Bom
4º lugar - Suficiente
C.E. - Qual o balanço que o Nuno Lopes faz , após uma época no Clube Nabantino?
N.L. - O balanço é bastante positivo tanto a nível pessoal como a nível desportivo. Sou um treinador novo e penso que paulatinamente vou ganhando o meu espaço e reforçando a minha maneira de agir e de encarar o cargo. Depois de um período de adaptação mútua, penso que neste momento o clube já sabe o que esperar de mim e vice-versa.
Quanto ao clube acredito e estou convicto que é seguramente o clube mais representativo do Ribatejo, não só pela História passada como pela sua organização interna, em todos os escalões da modalidade.
Antes de servir o clube já conhecia como o público local vibrava com o Sporting Tomar, e que a organização era boa, por isso foi e é com muito gosto que confirmo essas boas qualidades do clube.
Claro que problemas também existem mas esses são encarados de frente e resolvem-se de imediato, tendo como objectivo máximo defender os interesses do clube.
C.E. - A participação do Sporting na zona Norte da 2.ª Divisão, é ou não, benéfica para as ambições do Dep. Sénior do Sporting Clube de Tomar?
N.L. - As ambições do clube são iguais, independentemente da zona. Não podemos afirmar que uma zona é mais fácil que outra, mas sim que têm características diferentes. A Sul as equipas são mais sonantes (têm jogadores referenciados a nível nacional) mas são menos atrevidas, mais tácticas e mais colectivas. A Norte existem jogadores mais atrevidos, mais fortes no 1x1, improvisa-se mais e joga-se o resultado com mais intensidade. Como tal, penso que a nossa equipa se encaixa bem na zona Norte, por os jogadores terem as características que referi para essa zona.
C.E. - As saídas de Pedro e Nuno Nobre, João Mendes e Bruno Pereira, todos eles formados no Sporting Clube de Tomar, criaram algumas reacções nos sócios do Clube. As suas saídas foram opções técnicas, ou, foram motivadas por questões pessoais aos jogadores?
N.L. - Os jogadores referidos saíram por opção pessoal, uns porque vão melhorar as condições, outros por entenderem que querem ter uma maior participação nos jogos e outros porque querem mudar de ares, visto entenderem que seriam benéfico para eles e para o clube. Quanto a mim respeitei as decisões e falei com todos individualmente para que não ficasse nenhum mal-entendido por resolver. Entendo que as reacções menos boas de alguns dos sócios do clube são legítimas uma vez que são jogadores da terra e alguns deles das suas famílias. Mas como ninguém falou directamente comigo, estou inteiramente à disposição de quem queira falar sobre o assunto para esclarecer tudo o que assim entenderem. Acho que há assuntos que devem ser encarados de frente e não em blogs, cartas anónimas para imprensa ou na bancada, no decorrer dos jogos. Recordo que durante a época houve bom relacionamento entre todos, com frontalidade quando assim foi necessário, participação e espaço para todos expressarem as suas opiniões, sempre com o mesmo objectivo – defender o clube. As regras são determinadas pela direcção e treinador e os jogadores respeitaram o que lhes foi exigido, discordando quando o acharam, mas sem prejudicar o grupo. Por último deixo a velha máxima que os treinadores, jogadores ou qualquer outra pessoa envolvida no grupo vai passando mas o clube fica .
C.E.- As entradas de dois jovens no plantel, casos de Nuno Dias, proveniente da “cantera” leonina, e Ivo Silva, júnior de 1.º ano, vindo da Gualdim Pais, indiciam uma nova era na politica desportiva do Sporting, ou serão casos pontuais na reestruturação do dep. Sénior do S C T ?
N.L. - As entradas dos jogadores Nuno Dias e Ivo Silva são apostas como outras que o clube já fez no passado, com jogadores que neste momento já não servem o clube. A grande aposta é dos próprios jogadores, porque o clube proporciona-lhes tudo o que um atleta jovem precisa. Agora o futuro depende deles, se querem ou não agarrar esta oportunidade.
Se é uma nova era na política desportiva do clube, é um assunto que não me compete responder mas acho uma pergunta pertinente para fazer aos responsáveis máximos do clube.
No entanto, tanto esses jogadores como Orlando, que veio do Marinhense, têm todo meu aval porque fui eu que os indiquei à direcção.

N.L. - Entendo que a minha relação com o público é perfeitamente normal, até porque só lhes peço que sejam tão interventivos com a equipa como eu sou com os jogadores. Criticas irão existir sempre, umas construtivas outras destrutivas e não podemos esquecer que o povo português gosta sempre de apontar mais o mal que o bem. Quanto aos mais críticos, temos que saber viver com isso e até já referi algumas vezes que venham aos treinos para assim, tanto eu como os jogadores, lidarmos com essas pressões negativas. Dou um conselho a esse público mais crítico (que esteve sempre identificado): evite ter o mesmo comportamento nesta época, seja neste clube ou noutro, porque em nada ajudaram o grupo e o que digo aos jogadores é igual para os adeptos: temos que saber viver com o sucesso de igual maneira que vivemos com o insucesso. Devemos também conseguir analisar as várias perspectivas de um jogo, seja do lado do treinador, da direcção, dos jogadores ou de um adepto porque amanhã os papéis podem inverter-se e nessa altura poderão ter a mesma postura que anteriormente haviam criticado. Não esqueçamos que a época passada o Sporting Tomar conseguiu a melhor classificação dos últimos 7 anos.
C.E.- Sabemos que a formação é um dos pilares no Clube. Qual é a opinião que tem sobre o trabalho que o Secção Juvenil do Sporting está a realizar?
N.L. - Entendo que o clube está a desenvolver um trabalho magnífico na área da formação, em termos de quantidade, para obter mais qualidade. Pessoalmente desenvolvi um trabalho de 3 anos no Marinhense com as camadas jovens e conseguimos cumprir os objectivos propostos. Guardo daí uma experiência muito rica e com algumas conclusões que se podem adaptar a qualquer clube:
· A aposta nas camadas jovens começa sempre pelos treinadores propostos (difícil de concretizar).
· Os projectos devem estar escritos e reajustados anualmente mas devem ser claros para todos os intervenientes entenderem e poderem criticar de forma construtiva.
· Poucos treinadores (de preferência cada um com 2 escalões adjacentes)
· Existência de um coordenador técnico-táctico (papel desempenhado por um dos treinadores) que promoverá reuniões periódicas, acompanhará o trabalho dos colegas e preparará as matérias a praticar nos diferentes escalões de formação de modo a existir uma linha orientadora evolutiva.
· Não esquecer que nestas camadas o treinador tem acima de tudo uma função pedagógica e tem que ser muito interventivo.
C.E. - Para finalizar, desejo-lhe uma boa época a titulo pessoal como à equipa, e deixo-lhe este espaço, se assim entender, para alguma mensagem que queira enviar aos sócios do Sporting e aos visitantes do “Cartão Azul”.
N.L. - Agradeço esta oportunidade ao “Cartão Azul” ,desejo as maiores felicidades a este espaço e continuação de um bom trabalho.Felicidades também para todas as equipas do Ribatejo e um abraço especial para os meus atletas, que me proporcionam verdadeiros momentos de prazer.
Cortesia:
Entrevista: Carlos Emídio MartinsFotos: Blog "Hóquei Litoral Oeste" e Jornal "Cidade de Tomar"