Não deve haver maior defensor da célebre teoria que diz que o segundo é apenas o primeiro dos últimos. No entanto para que uma regra o seja na plenitude, tem de ter excepção. Para a confirmar. Para a tornar inquestionável.Ora, é de uma excepção que eu vou falar: a Selecção Nacional de hóquei em patins...Ficou em segundo no Europeu que anteontem terminou em Oviedo, mas de modo algum o balanço da sua actuação pode ser visto dessa forma.
É certo que Portugal tem fortíssimas tradições na modalidade, já ganhou dezenas de títulos internacionais e que seria péssimo sinal ficarmos satisfeitos com o segundo lugar.
Mas – há sempre um mas…- a equipa das Quinas ainda no ano passado, em Montreux, na Suíça, terminou o Mundial numa inédita e péssima sexta posição. Luís Sénica, Director-Técnico Nacional e seleccionador de Sub-23 foi lançado, pela primeira vez, às feras. Ou seja, passou a orientar a equipa absoluta e para defrontar os melhores jogadores do Mundo.
Depois, repare-se, Portugal, que até teve uma caminhada fantástica até à final, aí encontrou a Espanha, conjunto que tinha pelo menos duas coisas a seu favor: era a tetracampeã da Europa e jogava em casa. Ganhou. É uma verdade absoluta. Mas, mesmo assim, por um sofrido e, se calhar até injusto, 1-0…É quase uma verdade absoluta.
Foi um segundo lugar. De modo algum foi o primeiro dos últimos, mesmo que esteja a atacar a tese que tantas vezes defendo…Foi, talvez, o primeiro degrau para voltar ao topo.
Rui Guimarães, in Jornal “O Jogo”, edição de 28 de Julho 2008
Foto: Site das Selecções Nacionais

João Miguel ( Porto Santo SAD) (GR)