sexta-feira, 16 de maio de 2014

DE MALA ÀS COSTAS PARA FAZER HISTÓRIA LÁ FORA

Chegar, ver e vencer não chega. Que tal chegar, ver e vencer quase todos os jogos? É assim que está a ser a temporada de estreia de Duarte Delgado no Plonéour-Lavern, clube da 2ª divisão francesa.


Ora falamos de um jogador de hóquei em patins que decidiu colocar a mala às costas, aos 30 anos, para se estrear enquanto treinador e escrever um capitulo novo e cheio de sucesso. Duarte Delgado está já a assumir o estatuto de herói no Plonéour enquanto técnico e jogador, depois de uma temporada a roçar a perfeição, em que a subida ao principal escalão está garantida, com 15 vitórias, um empate, 109 golos marcados e 39 sofridos. Uma limpeza também patrocinada pelo stick do jogador formado no Turquel, que foi o melhor marcador da equipa com 38 tiros certeiros. Mas o arranque não foi fácil, «Isto é um clube pequeno, numa vila pequena. Quando cheguei, conhecia pouco acerca da equipa, mas o projecto de dois anos interessou-me e vinha disposto a vingar. Tive alguns problemas de adaptação por causa da língua e, sinceramente, não estava à espera de tanto sucesso» contou o hoquista a Record.


É já como trintão que Duarte Delgado deu um salto na carreira, com responsabilidades que nunca tinha tido antes. Uma tarefa que poderia parecer complicada para alguém que assume não ter sido sempre o jogador mais...disciplinado. «A minha passagem pelos seniores não foi a melhor. Sou muito exigente e competente mas também orgulhoso» começou por afirmar, «Lembro-me de um jogo em que o treinador não me pôs a jogar na 1ª parte e fui tomar banho ao intervalo sem dar satisfações a ninguém», recordou. Mas Duarte Delgado mudou «Mais vale tarde do que nunca, não é?», brincou o hoquista natural de Alcobaça que tem companhia de outro português, Jorge Faria, ex-Limianos, no Plonéour, «Trabalha muito! Tem sido uma grande ajuda logo pelo facto de falar português», adiantou o técnico e jogador sobre o segundo melhor marcador da equipa francesa.


Ainda falta a cereja no topo do bolo. Para se perceber como se trata de uma época histórica, basta ver que o Plonéour-Lavern, criado no final dos anos 80, esteve no escalão principal do hóquei francês apenas uma vez 2011/12. De lá caiu imediatamente, mas o regresso está confirmado com o titulo na zona norte da 2ª divisão. Só que ainda faltam dois jogos com o Biarritz, o melhor da zona sul para decidir quem é o campeão nacional. Para dia 17 está marcado a viagem para a 1ª mão, antes do campeonato ser decidido em casa do Plonéour a 7 de Junho. Seria o coroar de uma temporada em que a única derrota chegou nos "quartos" da Taça de França frente ao La Roche que ganhou a prova.


Alcobacense diz estar contente em França e já pensa na próxima temporada. «Voltar a Portugal? Não quero». Os Pavilhões portugueses já não conhecem os patins de Duarte Delgado desde o ano passado. Agora o treinador/jogador tem estado a mostrar credenciais em França, mas garante que não tem como objectivo voltar ao país natal. «As dificuldades em conseguir estabilidade são bastantes. E estou num projecto de, no minimo, dois anos. Não faz parte dos meus princípios abandonar o barco», explicou ao nosso jornal. o Alcobacense diz que «as pessoas têm sido impecáveis» e garante estar já de olhos postos no ataque à 1ª divisão francesa, onde as dificuldades serão bastante acrescidas, «estamos conscientes dos problemas que vamos ter. É muito mais competitivo e o objectivo vai ser claramente a manutenção, mas vou continuar aqui quase de certeza. Só falta acertar uns pormenores», explicou. Do que Duarte Delgado não se importava que fosse diferente é o facto de ser treinador e jogador ao mesmo tempo. Não é que não goste, mas considera que depois que depois perde o que de melhor tem cada uma das funções. «é possível trabalhar assim, mas como uma solução alternativa. Uma das partes vai ficar sempre a perder».

Pedro Gonçalo Pinto in Jornal "Record"
Fotos: Jean-Philippe Cochou

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