sábado, 11 de maio de 2013

ESCLARECIMENTO FINAL

Claro que Gostamos de Vencer! Quem não Gosta?

Foto: Jaime Santos

Quero agradecer desde já a oportunidade que me é dada para esclarecer toda a situação e colocar aqui um ponto final no bate-papo entre os responsáveis da Juventude Oureense e dos Águias da Memória.

Oportunamente e se as pessoas assim o entenderem falarei com elas no sentido de esclarecer mais objectivamente alguns contornos que conduziram ao nosso descontentamento. Essa é a minha postura habitual, daí apenas ter referido o episódio de maneira superficial, uma vez que a crónica relatava a bravura com que os meus atletas se bateram em campo mais uma vez, durante toda a época. É para eles que me esforço, foi pelo seu sentimento de injustiça que me bati.

Pessoalmente tenho pautado a minha carreira enquanto jogador e agora treinador pela discrição, humildade evitando ao máximo intrigas ou “mexericos”. É uma das razões de me manter afastado dos grandes canais de comunicação, facebook, twiter etc.

A notícia publicada neste blog, ao qual agradecemos o brilhante serviço público, na última terça-feira, referente à injustiça praticada à equipa CRC “Os Águias” – Memória, pretendeu manifestar um “grito de revolta” pela injustiça desportiva que é feita aqueles rapazes. Jovens que tanto merecem uma palavra de conforto e motivação, pois venceram quase todos os jogos da taça APLisboa, tendo sido arredados de lutar pelo primeiro lugar.

Dói muito sentir a sua tristeza que nesta tenra idade de Iniciados não é vívida de forma fácil, até a mim me custa. Reconheço que as regras de (bonificações e penalizações) estavam traçadas desde o início do campeonato, mas foram aprovadas sem a nossa aprovação assim como a dos restantes clubes da região de Leiria e Ribatejo. Como se isso não bastasse e resultante da “falta de comparência” no jogo JO – Águias eis que surge uma sanção pecuniária de um salário mínimo (arredondando 500€). Os tempos não estão fáceis para receber tal “presente”.

Ao que sei, não somos únicos a ser surpreendidos com tais sanções, situações perfeitamente evitáveis, se houvesse mais diálogo entre os representantes dos clubes intervenientes nesta prova acredito que nada disso acontecesse.

Retomando o tema “falta de comparência” do jogo iniciados em Ourém do passado dia 13 de Abril, e volvidas as notícias publicadas, admito publicamente que não fui conhecedor de todas as comunicações entre os Directores dos citados clubes, talvez essas conversas fizessem toda a diferença.

Confirmo o almoço realizado 25 de Março Sr. Vítor Domingues, facto que ocorreu 14 dias antes da suposta partida. Tal encontro só demostra as excelentes relações que existiam entre os responsáveis dos clubes, tendo sido eu a tomar a iniciativa. O repasto visa agradecer pessoalmente toda a disponibilidade demonstrada durante os últimos tempos pela JO.

O relacionamento era de tal forma sadio que o “Não” não fazia parte do nosso relacionamento, talvez por isso nunca tenha sequer acreditado na “Não Troca de Jogo”, embora confirme que o Sr. Vítor me comunicou que a troca estava difícil.

Após o almoço dei conhecimento ao Director do meu clube que encetou diversas diligências durante vários dias com os Directores da Juventude Oureense para um entendimento conjunto. Tal não chegou a acontecer e, na véspera do jogo às 20H00, tomei conhecimento da “não troca” do jogo de sábado em Iniciados, com o jogo do campeonato nacional de juvenis marcado também para esse dia. A falta de comparência foi inevitável.

Ainda hoje tenho dificuldade em perceber a “não troca de jogo”, pela falta de argumentos que encontro, para que não tenha havido entendimento. Quando falei no jogo da primeira volta pretendia elogiar o mérito dos meus atletas, verdadeiros guerreiros (em campo), porque nessa vitória nada vi de anormal. A não ser o facto do jogo ter começado às 11H00 e só ter terminado perto da 13H30, devido à suspeita de lesão cervical de um nosso atleta após ter caído dentro de área em cima da bola. Na altura o seccionista da JO, Bombeiro de profissão, prestou todos os cuidados paramédicos possíveis para evitar uma lesão grave.

Após o jogo dirigi-me rapidamente para o hospital de Leiria de forma a inteirar-me da lesão do atleta e prestar apoio à avó deste, atendendo que os pais nada sabiam do acidente uma vez que estavam em Lisboa.
Tive a atenção de agradecer no local a todo o staff do JO, informando-lhes em simultâneo da gravidade da lesão do rapaz. Felizmente não passou dum susto.

Pelo que me foi dado a conhecer o Sr. Gonçalo, talvez pelo lugar que ocupa coordenador/treinador dos iniciados, poderia ter feito uma força maior para evitar tal situação, visto ser conhecedor da realidade do nosso clube em matéria de escassez de atletas.

A falta de consenso entre as partes parece-me desajustado entre clubes amigos, que quando organizavam torneiro convidavam-se mutuamente, efetuavam diversos jogos treinos durante a época. O Águias cedeu no passado atletas e em contra partida a JO cedeu pontualmente o seu espaço. Perante estes e outros factos as relações não podiam ser as melhores, é uma realidade, mas ser penalizado financeiramente por tal decisão dói muito e é muito pesado para o nosso pequeno clube.

Quando invocam a questão referente ao Marco, guarda-redes não utilizado, ou melhor pouco utilizado no jogo de Iniciados da 1.ª volta realizado na Memória, o rapaz encontra-se clinicamente impedido de fazer actividade física desde 13 de Janeiro. Portanto já não treina há 4 meses, embora pontualmente tenha jogado alguns minutos devido ao número reduzido de atletas, que o obriga a estar sempre equipado para a posição de baliza. Trata-se dum problema ósseo de crescimento.

Quanto às sua “libertinagem” é próprio da idade de um jovem adolescente que cresce, infelizmente, num ambiente destruturado.

Claro que gostamos de vencer e é esse o espirito que incuto aos meus atletas. Mas exijo sempre e tenho o máximo respeito pelos adversários, adeptos, ou árbitros. O nosso lema nos CRC “Os Águias” é formar “HOMENS” para a vida, sendo os resultados desportivos os menos importantes. Podendo “vencer” não vamos perder, digerimos com dificuldade as derrotas, mas penso que temos tido a particularidade de reconhecer mérito ao adversário quando ele a tem, postura que nem sempre vejo ter aos nossos adversários.

Quem não gosta de vencer? Arrisco-me a dizer que a maioria dos pais, se não todos, gostam de ver o seu filho vencer, na escola, no desporto, nos torneios de bairro, enfim na vida. Tal como os próprios pais gostam de vencer no seu dia-a-dia, desde que seja uma atitude sã é um comportamento que faz parte da sociedade em que vivemos. Neste mundo tão globalizado, competitivo, quem não pautar por esse espirito tem maiores dificuldades em singrar na vida.

 Acredito que a minha vontade de vencer seja muitas vezes mal interpretada pela emotividade e vibracidade que coloco no banco, mas torna-se fundamental para contagiar os meus atletas dentro de campo e uma parte do nosso sucesso deve-se a tal comportamento.

O bichinho pelo hóquei na Memória é tal que os directores deste prestigiado clube aceitaram mesmo com seis atletas (3 Iniciados e 3 infantis), por lesão do nosso capitão Nuno Jorge, (fractura no pé durante as aulas Educação Física com paragem prevista de pelo menos um mês) continuar na taça APL. Era fácil abandonar a prova como outros fizeram, provavelmente porque não conseguiram reunir meios para continuar, mas nós entendemos que a formação dos restantes atletas estava acima de qualquer resultado, mesmo com um esforço redobrado.

Agora faço um apelo, por favor, não nos penalizem financeiramente pela nossa persistência em continuar a proporcionar formação aos atletas da Memória, mesmo sabendo que podemos ganhar em campo e perder pelo regime de penalizações. Deixem-nos continuar abraçar esta causa, a formar hoquistas e homens.
Concluo, para que percebam a nossa mágoa e as adversidades que temos que superar, em 2010/2011 fomos campeões Regionais de Iniciados. Até hoje a APCoimbra, entidade organizadora da prova, ainda não premiou o clube e os atletas pelo feito alcançado. Não é triste?

Fim de bate-papo, agradeço a vossa atenção e sinto-me de consciência tranquila pelo esclarecimento prestado.

Crónica: Jaime Santos

Sem comentários: